|
| 
A EVOLUÇÃO DA TELEFONIA CELULAR
|
A Primeira Geração de Sistemas Móveis
Os Laboratórios Bell, da AT&T, desenvolveram o conceito do celular
em 1947, sendo que em 1970 a própria AT&T propôs a
construção do primeiro sistema telefônico celular de alta
capacidade que ficou conhecido pela sigla AMPS, ou seja,
Advanced Mobile Phone Service. Em 13 de Outubro de 1983,
o primeiro sistema celular nos EUA entrava em operação
comercial em Chicago. No entanto, a NTT (Nippon Telephone
& Telegraph) havia se antecipado colocando um sistema
semelhante ao AMPS em operação em 1979 na cidade de Tóquio,
no Japão.
Na Europa
a primeira geração de sistemas celulares era composta
de diversos sistemas. O NMT (Nordic Mobile Telecommunications),
adotado por diversos outros países além dos nórdicos,
o TACS (Total Access Communications System), no Reino
Unido, Itália, Áustria, Espanha e Irlanda, o C-450 na
Alemanha e Portugal, o Radiocom 2000 na França e o RTMS
na Itália. Todos esses sistemas eram bastante parecidos
entre si, sendo que as principais diferenças concentravam-se
no uso do espectro de freqüência e no espaçamento entre
canais. O AMPS, por exemplo, opera na faixa de 869-894
MHz para recepção e 824-849 MHz para transmissão; o NMT-450
opera na faixa de 463-468 MHz para recepção e 453-458
MHz para transmissão enquanto que o NMT-900 utiliza a
faixa de 935-960 MHz para recepção e 890-915 MHz para
transmissão, etc. Com relação ao espaçamento entre os
canais pode-se citar, por exemplo, o AMPS que adota 30
kHz, o TACS e vários outros que adotam 25 kHz, etc.
Essa primeira
geração de sistemas celulares caracterizava-se basicamente
por ser analógica, utilizando modulação em freqüência
para voz e modulação digital FSK (Frequency Shift Keying)
para sinalização. O acesso à canalização é obtido através
do FDMA (Frequency Division Multiple Access). O tamanho
das células situa-se na faixa de 500 metros a 10 quilômetros,
sendo permitido o "handoff" ou "handover"
(permite a transferência automática de ligações de uma
célula para outra). Possibilita igualmente o "roaming"
(transferência automática de ligações entre sistemas)
entre os diferentes provedores de serviço, desde que adotem
o mesmo sistema.
A Segunda Geração de Sistemas Móveis
O
TDMA opera dividindo o tempo de um canal, que opera em
uma determinada freqüência, em um certo número de partes
e designando cada uma das diversas conversações telefônicas
para cada uma dessas partes.
O CDMA, um forte concorrente
do TDMA, é um sistema proprietário desenvolvido pela empresa
QUALCOMM, baseada em San Diego, nos EUA. O sistema utiliza
a técnica de espalhamento espectral e foi originalmente
utilizado pelos militares para espalhar o sinal em uma
faixa de espectro bastante larga, tornando as transmissões
difíceis de interceptar ou mesmo interferir.
Existe
também o CDMA de banda larga (Broadband CDMA ou B-CDMA),
estando as patentes em poder da empresa InterDigital.
Essencialmente, o B-CDMA opera partilhando o espectro
de freqüência com as demais tecnologias celulares existentes.
O GSM
foi adotado como padrão Europeu em meados dos anos 80
e introduzido comercialmente em 1992, operando na faixa
de freqüência 935-960 MHz para recepção e 890-915 MHz
para transmissão. O GSM possui uma arquitetura aberta,
o que permite a combinação de equipamentos de diferentes
fabricantes, possibilitando assim a manutenção de preços
baixos. A seu favor, contabiliza-se ainda uma larga infra-estrutura
já implantada de mais de US$ 50 bilhões de dólares, com
mais de 150 redes celulares do tipo GSM-900, DCS-1800
e PCS-1900 com mais de 57 milhões de assinantes distribuídos
em 98 países; mais de 45 milhões de assinantes se concentram
somente na Europa Ocidental (23 países). O GSM é hoje,
indiscutivelmente, o padrão mais popular implementado
mundialmente.
Em resumo,
os serviços de comunicações de segunda geração são baseados
em sistemas de alto desempenho, alguns com capacidade,
no mínimo, três vezes superior à dos sistemas de primeira
geração. Caracterizam-se, em geral, pela utilização de
tecnologia digital para transmissão tanto de voz quanto
de sinalização.
Além dos
sistemas celulares vistos até aqui, existe ainda uma outra
linha de desenvolvimento, conhecida como "cordless
systems" ou "cordless telephones", ou seja,
sistemas sem fio ou telefones sem fio, ou ainda CT. Esses
sistemas têm experimentado diferentes níveis de sucesso
ao longo do tempo e encontram-se em uso em milhões de
residências ao redor do mundo.
Estima-se
que nos EUA existam mais de 60 milhões de telefones sem
fio, dos mais diferentes tipos e/ou modelos. O seu uso
era considerado ilegal na Europa nos anos 80, embora certamente
um considerável número de aparelhos operasse em milhares
de residências. Surgiu então um padrão europeu, o CT1
(Cordless Telephone 1), com 80 canais, operando nas faixas
914-915 MHz (móvel para base) e 959-960 MHz (base para
móvel).
Vários
novos padrões se sucederam ao CT1 e foram considerados
digitais na medida em que digitalizavam o tráfego de voz
para transmissão sobre a interface aérea. Uma das suas
principais atrações é a qualidade do sinal, que é enviada
a uma taxa de 32 kbit/s - os sistemas celulares digitais
convencionais adotam geralmente taxas de até 13 kbit/s.
Dentre esses padrões convém ressaltar o CT2 (Cordless
Telephone 2), o DECT (Digital European Cordless Telephone),
o PHS (Personal Handyphone System) desenvolvido no Japão
e o PACS (Personal Access Communications Services ) proposto
pelo Bellcore nos EUA.
O CT2
foi projetado para uso em ambientes domésticos e empresariais
e pode ser usado como teleponto, ou seja, oferece ao usuário
a possibilidade, quando este estiver próximo de cabinas
ou postes devidamente equipados, de ingressar na rede
de telefonia pública comum. O DECT oferece uma estrutura
de comunicações sem fio para alta densidade de tráfego,
telecomunicações de curta distância e cobre uma ampla
gama de aplicações e ambientes. O PACS suporta serviços
de voz, dados e imagens de vídeo para uso em interiores
e microcélulas.
Como resposta
à má qualidade de serviço oferecida por sistemas analógicos,
à sua inabilidade de adequar capacidade à demanda e à
elitização de seus serviços dada a exorbitância dos preços,
surgiu, na Inglaterra, em 1989, o conceito PCN (Personal
Communications Network). O "Department of Trade and
Industry" (DTI), órgão governamental responsável
pelo setor de telecomunicações do Reino Unido, disparou
um processo de consulta sobre o desenvolvimento de um
sistema rádio que fornecesse serviços bidirecionais de
telecomunicações de alta qualidade, para ambientes fixos
e móveis, a um custo acessível. A meta era o mercado de
massa, constituído potencialmente por milhões de usuários,
promovendo, desta forma, uma competição com o sistema
celular. A arquitetura do sistema seria suportada por
uma ampla estrutura microcelular para possibilitar o uso
de terminais de baixa potência e, conseqüentemente, leves
para serem transportados no bolso (pocket-size). A faixa
de freqüência mais adequada estaria entre 1,7 e 2,3 GHz,
por estar menos congestionada que a faixa do celular convencional,
em torno dos 900 MHz, e a atenuação adicional da nova
faixa seria compensada pela menor dimensão das células.
Nos EUA, esse serviço, que pretende ser cada vez mais
o meio de comunicações entre pessoas e não entre lugares
ficou, conhecido como PCS (Personal Communications Service).
O termo PERSONAL ou PESSOAIS é visto como ponto-chave
em termos mercadológicos porque captura a imaginação e
inspira liberdade, individualidade e algo feito sob medida.
As operadoras vêem nessa solução uma forma de melhorar
os serviços já oferecidos onde se incluem atualmente os
celulares, os "pagers" e a própria rede fixa
de telefonia convencional.
Na Europa,
as primeiras aplicações de PCS surgiram no final de 1993
com o sistema DCS-1800, uma variante do GSM operando com
potências menores e em uma faixa de freqüência mais alta.
Em janeiro de 1998, apenas na Alemanha, França e Inglaterra,
existiam cerca de 3,7 milhões de assinantes nessa tecnologia.
A Terceira Geração de Sistemas Móveis
Mesmo
não estando ainda os sistemas de segunda geração totalmente
amadurecidos e firmemente estabelecidos, já se trabalha
intensamente no desenvolvimento da terceira geração. Este
trabalho está sendo liderado mais uma vez pela Europa
e patrocinado pelo ITUR (International Telecommunications
Union - Radiocommunications sector) e ETSI (European Telecommunications
Standard Institute). O objetivo é criar um sistema móvel
de terceira geração por volta do ano 2000. Esse sistema
está sendo denominado UMTS (Universal Mobile Telecommunications
System).
Progressos significativos já foram obtidos, como por exemplo
a reserva de 230 MHz de espectro, com a aprovação de 127
países, na "World Administrative Radio Conference"
(WARC) em 1992.
A topologia provável desse novo sistema será baseada em
uma forma de arquitetura mista de células; células de
tamanho variável serão implementadas com dimensionamento
adequado para áreas geográficas específicas e em função
das diferentes demandas de tráfego. Células diminutas,
ou seja, picocélulas, instaladas em interiores, serão
versões melhoradas das atuais tecnologias "cordless",
com "handsets", isto é, aparelhos de assinante,
bastante pequenos e leves; células maiores, ou seja, microcélulas
e macrocélulas, poderão operar segundo características
evoluídas a partir do GSM. "Handsets" diferentes
precisarão reconhecer e operar indistintamente em pico,
micro e macrocélulas. Ou seja, o objetivo é criar uma
plataforma de rede SEM FIO, oferecendo aos usuários a
possibilidade de acesso, através de ondas de rádio, como
extensão do sistema telefônico do escritório quando se
encontram no trabalho ou como telefone móvel convencional
quando se encontram ausentes ou ainda como telefone principal
de suas residências quando estão em casa.
A evolução em direção aos serviços de telecomunicações
móveis universais, UMTS, muito provavelmente, deverá ter
como base a estrutura do GSM. Econômica e tecnicamente
falando, a criação de um padrão independente para o UMTS
seria injustificável dado o enorme investimento para a
viabilização das redes celulares digitais já em uso.
O objetivo do UMTS é prover um padrão universal para as
comunicações pessoais com o apelo do mercado de massa
e com a qualidade de serviços eqüivalente à rede fixa.
Na visão UMTS, um sistema de comunicações deverá suportar
diversas facilidades: (1) portadoras realocáveis, banda
atribuível sob demanda (por exemplo, 2 Mbps para comunicações
em ambientes internos e pelo menos 144 kbps para ambientes
externos); (2) variedade de tipos de tráfego compartilhando
o mesmo meio; (3) tarifação adequada para aplicações multimídia;
(4) serviços personalizados; (5) facilidade de implementação
de novos serviços (por exemplo, utilizando ferramentas
de rede inteligente); (6) WLL (Wireless Local Loop) de
banda larga, etc. O WLL de banda estreita tem sido utilizado
em substituição aos fios/cabos de cobre para conectar
telefones e outros dispositivos de comunicação com a rede
de telefonia comutada pública, ou PSTN (Public Switched
Telephone Network).
O GSM já atende a alguns destes requisitos, a uma taxa
de adesão da ordem de 50 mil assinaturas por dia e prevêem-se
algumas centenas de milhões de usuários por volta de 2002,
época prevista para a entrada em operação do UMTS. Sem
dúvida, o emprego em larga escala da tecnologia não pode
ser o único fator a ser ponderado na adoção de padrões.
Especificamente em relação ao UMTS, três quesitos são
de primordial importância: (1) rádio acesso de banda larga;
(2) "roaming" inteligente; e (3) alta capacidade.
O GSM, em sua evolução natural, tem plenas condições de
atender também a esses quesitos.
Os delegados do ETSI reunidos em Paris em 29/01/98 concordaram
com a adoção de um padrão de interface aérea para a terceira
geração que incorpora elementos de duas tecnologias: W-CDMA
(Wideband Code Division Multiple Access) e TDMA/CDMA (híbrido
de "Time Division Multiple Access/Code Division Multiple
Access"). A versão detalhada da solução européia
será apresentada à ITU (International Telecommunications
Union) em junho de 1998. A rede básica do sistema deverá
ter como base o GSM.
O projeto de um produto pessoal como o terminal de assinante
para o celular ou PCS vem também se tornando num desafio
crescente para a indústria. Os terminais têm se tornado
cada vez menores, mais leves, as baterias têm durado mais
e os novos modelos que surgem apresentam sempre uma série
de novas características e funcionalidades.
A Hewlett-Packard Co. e outros estão tentando concentrar
todas as funções de um telefone em um cartão de crédito
comum. Os laboratórios de pesquisa da British Telecom,
Reino Unido, estão desenvolvendo um comunicador pessoal
como peça de vestuário e que combine vídeo, telefonia,
comunicação de dados e um assistente digital pessoal,
conhecido como PDA (Personal Digital Assistant). A Sony
vem trabalhando há anos num sistema que efetua traduções
em tempo real, de forma que pessoas de países diferentes
possam estabelecer uma conversação normal em línguas diferentes.
Adicionalmente, todo esse poder de processamento deverá
estar concentrado em um único "chip".
A AT&T, divisão de "Wireless Services",
está introduzindo um equipamento que permite aos usuários
enviar e receber dados em uma rede celular e que recebe
"e-mails" no próprio terminal equipado com uma
tela de cristal líquido, LCD (Liquid Crystal Display),
com capacidade para três linhas. A Nortel já introduziu
um terminal GSM que combina voz digital e serviço de dados
e serve também como um organizador eletrônico pessoal.
O novo "Nokia 9000 Communicator" pode enviar
e receber "faxes", "e-mails" e mensagens
curtas, ter acesso a serviços da Internet e bases de dados,
públicas ou de corporações, funcionar como calendário,
livro de endereços, bloco de rascunho e calculadora. A
Alcatel e a Sharp Electronics desenvolveram terminais
GSM equipados com telas com capacidade gráfica onde são
apresentados ícones e teclados que permitem acesso a funções
com apenas um toque.
A integração da tecnologia de computação com a de comunicações
e a eletrônica de estado sólido deve se constituir na
base para sistemas multimídia com fantásticos poderes
de processamento. Virtualmente, dentro de algum tempo,
qualquer indivíduo poderá ter acesso às comunicações sem
fio e estará enviando ou recebendo "e-mails",
"faxes", vídeo e, na maioria dos casos, utilizando
dispositivos portáteis.
| |